Aos cinco anos a minha filhota mais velha chegou a conclusão de que o meu corpo era a casa da irmazinhã. Estava eu com a barrigada a crescer e ela a acompanhar todo esse processo e a analisar o que era ter um bebê dentro da mãe.
E o que é de fato ter um bebê no nosso ventre? É a fisiologia da vida a transformar-nos? Ou é uma sensação que transcende as palavras e nos transforma por completo, desde as marcas de amor (estrias como assim eu as chamo, ganhei muitas nas gestações) até a nossa perceção de ter a vida para além da nossa?
Dou início a esse blog com questões para serem pensadas, talvez através dos olhos de uma menina de 5 anos ou de uma mulher a viver momento de tamanha sensibilidade.
Como Doula tenho o enorme privilégio de acompanhar mulheres protagonistas das suas vidas a viverem este momento - A gestação.
Todas as mulheres são então casinhas de uma nova geração, abrigando dentro de si não apenas uma nova vida, mas também sonhos, medos e descobertas.
Os meses decorrem, o corpo muda, o tempo parece brincar entre a ansiedade e a contemplação. Sentimos o peso, sim, mas também a leveza de saber que há alguém crescendo ali, protegido, envolvido por um calor que é, ao mesmo tempo, físico e emocional.
E então, vem a espera. A doce, intensa e, por vezes, desafiadora espera. O encontro marcado, mas de hora incerta. Será que o bebê sente o que sentimos? Será que estamos preparados para sair dessa casinha?
A gestação é um convite para a entrega, para confiar no próprio corpo e no tempo da vida. Mais uma vez, como doula vejo tantas histórias com experiências únicas, e todas com algo em comum entre elas: o renascimento.
Porque com cada bebê que chega ao mundo, nasce também uma nova versão daquela que o gerou, nos construímos e reconstruímos a cada gestação. E assim seguimos, sendo casinhas e sendo mudança, aprendendo que a maternidade não começa no parto, mas muito antes – quando nos permitimos sentir, questionar e viver essa experiência transformadora - BEM VINDA - A GESTAÇÃO.O.